Corpus Christi: Fome de Deus, fome do irmão

“Só tem lugar nesta Mesa, para quem ama e pede perdão. Só comunga nesta Ceia, quem comunga na vida do irmão”.

Na Solenidade do Corpo de Deus, voltemos à procissão da vida diária, onde Jesus caminha frequentando nossas ruas e praças. Um Deus encarnado que se faz companhia de nossa solidão, Pão de nossas fomes e gesto vivo do Amor que começa Nele e abraça o irmão, para voltar na Santíssima Eucaristia. Até nos povos mais humildes onde se celebra a procissão do Corpus, se enfeitam sacadas, se espalham tapetes pelas ruas, porque Aquele que vem é Bendito e Santo, é Deus.

Jesus se apresenta como o Pão que desceu do Céu, mas com tal qualidade que é dife­rente do maná que também choveu do céu no deserto. O que Jesus oferece não vale para tirar a fome fugaz e momentânea, mas a fome mais profunda: a do coração. Jesus vem como o Pão definitivo que o Pai envia, para saciar a fome mais profunda e decisiva: a fome de viver e de ser feliz. A Carne e o San­gue do qual fala Jesus não é um convite a uma estranha antropofagia, mas um modo real de indicar que Ele não é um fantasma, mas Alguém Vivo. Comer este Pão que sacia todas as fomes significa aderir a Jesus, entrando em comunhão de vida com Ele, compartilhando seu destino, sendo Seu discípulo e vivendo com Ele.

“Comungar a Jesus não é possível

sem comungar também os irmãos.

Não são a mesma comunhão,

mas são inseparáveis”.

Mas isto não significa abando­nar os demais. Desculpa esfarrapada seria essa de não amar aos próximos porque estamos “ocupados” em amar a Deus. Jamais os verdadeiros cristãos e nunca os autênticos discípulos que saciaram as fomes de seu coração no Pão de Jesus, se de­sentenderam das outras fomes de seus irmãos e irmãs. Comungar a Jesus não é possível sem comungar também os irmãos. Não são a mesma comunhão, mas são inseparáveis. E isto entendeu muito bem a Igreja quando ao apresen­tar-nos o Corpus Christi na qual adoramos a Jesus na Eucaristia, sacia a fome de nosso coração em seu Pão Vivo, atendendo a tantas fomes em tantos irmãos e irmãs que esperam por nós.

Autor(a): PE. INÁCIO JOSÉ SCHUSTER – VIGÁRIO JUDICIAL

Direitos da Imagem: Pascom NH

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