XX Semana Teológica inicia reflexão sobre o caminho da Igreja até as novas Diretrizes da Ação Evangelizadora

Primeira noite do encontro, na Diocese de Novo Hamburgo, percorreu os principais marcos da caminhada da Igreja desde o Concílio Vaticano II até os desafios atuais da evangelização no Brasil

A Diocese de Novo Hamburgo iniciou a XX Semana Teológica com uma reflexão sobre o caminho percorrido pela Igreja, especialmente a partir do Concílio Vaticano II, até a elaboração das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE).

A primeira noite contou com a assessoria do Pe. Tiago, que conduziu os participantes por um percurso histórico e pastoral, destacando acontecimentos, documentos, conferências e experiências que contribuíram para o amadurecimento da compreensão da Igreja sobre sua missão evangelizadora.

A reflexão partiu de uma pergunta fundamental: para onde queremos ir? Para o assessor, conhecer a história da Igreja e o caminho já percorrido é essencial para compreender o presente e discernir os próximos passos. Afinal, sem saber qual é o destino, qualquer direção pode parecer adequada.

Do Concílio Vaticano II à renovação da Igreja

O percurso apresentado teve como ponto de partida o Concílio Vaticano II, convocado pelo Papa João XXIII. A partir do desejo de uma Igreja capaz de dialogar com o mundo e compreender os desafios de seu tempo, o Concílio tornou-se um importante marco de renovação da vida e da missão eclesial.

Nesse contexto, ganhou destaque o método ver, julgar e agir, que convida a Igreja a olhar atentamente para a realidade, interpretá-la à luz da fé e, a partir desse discernimento, assumir ações concretas.

O Concílio Vaticano II representou um processo de aggiornamento, ou seja, de renovação e atualização. As grandes constituições conciliares não tiveram como objetivo modificar a fé da Igreja, mas favorecer uma nova maneira de apresentá-la e comunicá-la diante das transformações do mundo contemporâneo.

O caminho da Igreja na América Latina

A reflexão também percorreu o desenvolvimento da caminhada da Igreja na América Latina, especialmente por meio do CELAM – Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho.

A Igreja latino-americana encontrou no Concílio Vaticano II um impulso para refletir sobre sua própria realidade. As conferências episcopais realizadas ao longo das décadas contribuíram para traduzir as intuições do Concílio para o contexto concreto do continente.

Em Medellín, a Igreja foi chamada a olhar para a realidade latino-americana e para as situações de pobreza e injustiça, fortalecendo a opção preferencial pelos pobres.

Posteriormente, Puebla aprofundou a compreensão de que o anúncio de Jesus Cristo está diretamente relacionado à dignidade da pessoa humana. A evangelização não pode estar distante da vida concreta, mas precisa tocar as realidades, esperanças e sofrimentos das pessoas.

O caminho passou ainda por Santo Domingo e chegou a Aparecida, aprofundando a compreensão da Igreja como comunidade de discípulos missionários, chamada a anunciar o Evangelho dentro da realidade concreta de seu povo.

Permanece, assim, uma questão central para a ação evangelizadora: como fazer com que o anúncio do Evangelho faça sentido na vida das pessoas?

Uma Igreja de comunhão

Outro aspecto destacado durante a noite foi o amadurecimento de uma eclesiologia de comunhão.

Documentos como a Evangelii Nuntiandi, o caminho realizado pelo Sínodo dos Bispos de 1985 e a carta apostólica Novo Millennio Ineunte, de São João Paulo II, contribuíram para consolidar a compreensão da Igreja como casa e escola de comunhão.

Essa perspectiva evidencia que a missão evangelizadora acontece em continuidade. A Igreja não caminha rompendo com tudo o que foi construído anteriormente, mas amadurece sua compreensão da própria missão a partir da experiência, da escuta e do discernimento.

A evangelização, portanto, exige comunhão, participação e corresponsabilidade.

O desenvolvimento do planejamento pastoral no Brasil

A reflexão chegou também ao processo de desenvolvimento do planejamento pastoral no Brasil.

Antes das atuais Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora, a Igreja no país viveu diferentes experiências de organização pastoral, como a Pastoral Coletiva, a Ação Católica, o Movimento por um Mundo Melhor e o Plano de Emergência.

Essas experiências contribuíram para que a Igreja percebesse cada vez mais a importância de uma ação pastoral planejada em conjunto, com prioridades, objetivos e caminhos concretos.

Entre 1966 e 1970, essa experiência ganhou uma nova expressão com o Plano de Pastoral de Conjunto. A partir de 1975, consolidou-se progressivamente o processo que levaria às Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil.

Dessa forma, as Diretrizes são fruto de um longo processo de discernimento pastoral, escuta da realidade e busca de respostas aos desafios de cada tempo.

Conhecer a realidade para discernir novos caminhos

Na segunda parte da noite, a reflexão voltou-se para os desafios atuais e para a necessidade de uma verdadeira análise da realidade brasileira.

Não basta apenas olhar para a realidade. É necessário compreendê-la, interpretá-la à luz do Evangelho e, a partir disso, apontar caminhos.

O método ver, julgar e agir encontra sua finalidade quando conduz à ação. Por isso, a Igreja é chamada a permanecer atenta às transformações da sociedade e aos novos desafios que surgem.

Uma das questões apresentadas durante a reflexão foi: “Como podemos responder se não conhecemos as perguntas?”

Nesse sentido, as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora ajudam a Igreja a olhar continuamente para a realidade, reconhecer seus desafios, discerni-los à luz do Evangelho e buscar caminhos concretos para a missão.

Evangelizar é caminhar juntos

Outro ponto central da reflexão foi a necessidade de compreender a evangelização como um caminho feito em comunhão.

Não se trata mais de caminhar sozinho, mas de caminhar juntos.

Nesse sentido, alguns verbos podem orientar a ação evangelizadora: conhecer, aproximar-se, convidar, amar, planejar e caminhar juntos.

Conhecer para se aproximar. Conhecer não apenas para cobrar, mas também para convidar. Conhecer para compreender como é possível alargar a tenda, criando espaço para que mais pessoas encontrem lugar na comunidade.

E, antes de convidar, é preciso amar.

A evangelização passa pelo encontro, pela amizade e pela capacidade de fazer com que o outro se sinta verdadeiramente acolhido. Na conhecida intuição de São João Bosco, não basta amar o outro; é necessário que o outro perceba que é amado.

Da mesma forma, a ação evangelizadora exige planejamento e corresponsabilidade. É preciso planejar em conjunto antes de executar, para que as iniciativas não dependam apenas da boa vontade individual, mas nasçam do discernimento comunitário e da escuta da realidade.

Olhar o caminho percorrido para discernir os próximos passos

Ao final da primeira noite da XX Semana Teológica, ficou evidente que as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora precisam ser compreendidas dentro de um longo caminho percorrido pela Igreja.

Do Concílio Vaticano II ao CELAM; de Medellín a Puebla, Santo Domingo e Aparecida; do amadurecimento de uma Igreja entendida como comunhão ao desenvolvimento do planejamento pastoral no Brasil, existe uma caminhada marcada pela continuidade, pelo discernimento e pela busca de respostas aos desafios de cada época.

Olhar para a história, portanto, não significa permanecer no passado. Significa reconhecer de onde viemos para compreender onde estamos e discernir para onde Deus nos chama a caminhar.

A missão permanece a mesma: anunciar Jesus Cristo. O desafio é discernir, em cada tempo e realidade, como realizar esse anúncio de modo que toque verdadeiramente a vida das pessoas.

É nesse caminho que se inserem as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora: ajudar a Igreja a olhar a realidade com os olhos da fé, compreender os sinais dos tempos, planejar em comunhão e caminhar juntos para anunciar a esperança cristã ao mundo de hoje.

Fotos: CEZAR MOIZES – PASCOM DIOCESANA

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