Texto: Padre Fábio Luís Galle – Jornalista
Hoje, as redes sociais fazem parte da vida de praticamente todo mundo. Elas apareceram tão rapidamente que acabamos incorporando seus hábitos à nossa vida quase sem perceber. Por meio delas conversamos, procuramos informações, acompanhamos acontecimentos, mostramos momentos da nossa vida e também expressamos aquilo que pensamos. Não somos mais apenas espectadores. Tiramos fotos, produzimos vídeos, escrevemos, comentamos, compartilhamos e participamos das conversas. De alguma maneira, todos nós passamos a exercer algum papel na comunicação.
A Igreja também está presente nesse ambiente. E isso é natural. Se sua missão é anunciar o Evangelho e estar próxima das pessoas, precisa procurar os espaços onde elas vivem, conversam e compartilham suas experiências. Hoje, uma parte importante dessas relações acontece no ambiente digital.
As mensagens publicadas em redes sociais chegam a todas as pessoas, muitas fora do nosso alcance de visão. Uma publicação pode ajudar a levar alegria, esperança e conforto a alguém, mas, por outro lado, pode despertar ódio e rancor.
Mas estar nas redes sociais exige mais do que abrir um perfil e começar a publicar. Cada postagem carrega uma responsabilidade. Uma informação publicada sem verificação, uma fotografia utilizada de maneira inadequada ou mesmo uma palavra mal escolhida pode provocar consequências. Depois que o conteúdo é postado na internet, torna-se quase impossível controlar a trajetória que ele irá percorrer.
A comunicação nas redes sociais pode nos aproximar e criar novas amizades, mas podemos correr o risco de que ela provoque mágoas e desentendimentos, conforme a maneira como nos comunicamos. E, quando pensamos na comunicação na Igreja, é importante e necessário não ficar focados nas curtidas, compartilhamentos e no número de seguidores. É fundamental se perguntar: o que a publicação pode provocar em quem vai recebê-la?
Nem sempre uma boa comunicação é aquela que alcança milhares de pessoas. Uma mensagem pode chegar a poucas pessoas e, ainda assim, ser importante para alguém que precisava justamente daquela palavra naquele momento. A evangelização não pode ser medida somente pelos números apresentados pelas redes sociais.
O importante é que aquilo que comunicamos tenha um sentido e esteja de acordo com aquilo que a Igreja é chamada a viver e anunciar. Nesse sentido, comunicar na Igreja é também testemunhar. Não basta falar sobre acolhimento se nossas atitudes afastam as pessoas. Não basta falar de fraternidade se tratamos o outro com indiferença. A comunicação precisa encontrar correspondência na vida da comunidade.
As redes sociais são ferramentas importantes para a evangelização, mas são apenas ferramentas. Elas não substituem o encontro pessoal, a celebração, a comunidade e as relações que fazem parte da vida da Igreja. Podem, porém, ajudar a criar caminhos para que esses encontros aconteçam.
Por isso, estar presente no ambiente digital é uma oportunidade, mas também uma responsabilidade. A Igreja é chamada a utilizar os meios de comunicação do seu tempo sem perder de vista aquilo que realmente deseja comunicar: Jesus Cristo, a esperança, o acolhimento, a fé e o anúncio do Evangelho.
Fonte:
ROBERTO, Michelino. Presença da Igreja nas mídias digitais. Curso de Extensão em Comunicação Institucional e Gestão de Crise Eclesial. Faculdade de Direito Canônico São Paulo Apóstolo (FDCSPA). YouTube, 2 set. 2026. Disponível em: https://youtube.com/live/_ALVRM6qsfk?feature=share.





