Advento – tempo de espera

Desde os tempos de São Justino (em torno do ano 150 dC), a Igreja pensa os tempos de espera pela vinda do Salvador, nos quatro mil anos assim calculados: mil anos desde a criação do homem até o dilúvio; mil anos do dilúvio até Abraão; mil anos de Abraão até Moisés e mil anos de Moisés até Jesus. O texto de São Justino era apologético, isto é, polêmico, para superar a ideia de que o cristianismo era muito recente e muito novo para ser seguido. Hoje nós sabemos que todos estes anos foram muito mais longos e já se fala em muitos milhares de anos que a humanidade já está sobre a terra. Mas, o pensamento é o mesmo: uma longa espera pela vinda do Salvador. E todo o Antigo Testamento se coloca nesta expectativa pelo nascimento de Jesus Cristo, anunciado como o Salvador. O advento, com seus quatro domingos, vem de alguma forma sintetizar este tempo de espera. E os textos litúrgicos, deste período, privilegiam as profecias de Isaías, que já vai apontando gradativamente alguns sinais em torno do Messias esperado. Nascerá de uma virgem, sem a participação de um varão humano, em Belém, terra de Éfrata. Nós teremos, por isso, quatro semanas para nos preparar para uma celebração digna do Natal do Senhor, e para acolher o Filho de Deus, nosso Salvador. Neste ano, todo o advento cabe dentro do mês de dezembro, o que raramente acontece. Com o primeiro domingo do advento, nós iniciamos também um novo Ano Litúrgico, que nós sabemos vai passar pelo mistério pascal e vai ser concluído com a Festa de Cristo Rei, logo antes do novo advento. Como o Natal é a grande festa da solidariedade de Deus para com a humanidade, já que vem um Salvador, para nos libertar do pecado e da morte, a Igreja também fala nesta hora sobre a solidariedade que deverá sempre mais existir entre os fiéis e todo o povo de Deus. Na Alemanha, no pós-guerra, instituíram a Coleta de Adveniat, como meio para ajudar ao terceiro mundo a edificar suas igrejas e centros de promoção humana. Ao longo dos últimos 40 anos do século passado, centenas de obras foram construídas no Brasil e em toda a América Latina, com recursos provenientes do Adveniat, tornada uma obra social dos bispos da Alemanha. Mas, depois da unificação da Alemanha, e da recristianização do Leste Europeu, os bispos alemães passaram a contribuir especialmente com estas novas demandas e também com a África, extremamente penalizada pela fome e miséria, exigindo muito mais a caridade do povo alemão e Adveniat foi canalizada para estes novos setores. Com isto a Igreja do Brasil passou a ter a sua própria Campanha da Evangelização, isto é, uma ação de sul a norte, com grande conscientização e uma coleta solidária no terceiro domingo do Advento, este ano, no fim de semana de 14 e 15 de dezembro, em todas as paróquias, capelas e comunidades do Brasil. Os envelopes são enviados pela CNBB, precisam ser distribuídos e assim o nosso povo precisa ser preparado para um gesto de solidariedade e responsabilidade. É com esta Coleta da Evangelização que a Igreja do Brasil, e também a nossa Diocese, organiza a sua pastoral, seus encontros, estudos e aprofundamentos. É importante que o povo católico saiba que, com esta Campanha da Evangelização, a Igreja do Brasil quer sempre mais caprichar em sua evangelização. Precisamos participar.

Autor(a): Dom Zeno Hastenteufel

Direitos da Imagem: Pascom NH

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