No dia 18 de outubro de 2025, na FACCAT, em Taquara, realizou-se a Assembleia Diocesana da Ação Evangelizadora. Pela manhã, após a espiritualidade inicial, Pe. Jeferson refletiu sobre o Documento Final do Sínodo da Sinodalidade e as Pistas para a Fase de Implementação; Pe. Vicente retomou o histórico com os resultados das reuniões ampliadas por áreas pastorais e do Conselho Diocesano de Pastoral, realizadas em preparação para a Assembleia; o Pe. Maicon apresentou o andamento da Catequese de Iniciação à Vida Cristã com inspiração catecumenal, assumida como prioridade diocesana em 2022; e Dom João sublinhou, de modo especial, a sinodalidade e a importância dos conselhos, especialmente o CPP. À tarde, em 35 grupos, vivenciou-se a Conversação no Espírito a partir da pergunta: “Como fazer dos Conselhos de Pastoral Paroquial um verdadeiro espaço de escuta, decisão e corresponsabilidade na missão da Igreja?”. Com as respostas, elaborou-se rapidamente, com apoio de inteligência artificial, uma síntese com percentuais, que o Pe. Edson apresentou à Assembleia. A Assembleia concluiu com votação por aclamação, chancelada pelo bispo diocesano, aprovando que, junto com a IVC, o fortalecimento e a (re)ativação dos CPPs passe a ser também prioridade diocesana, pedindo que as paróquias fortaleçam seus conselhos e, onde não houver, que sejam efetivamente instituídos. Com a bênção final, todos foram enviados a rezar e trabalhar para que estas luzes, inspiradas pelo Espírito Santo durante a Assembleia, sejam de fato implementadas.

Conversação no Espírito: Como fazer dos Conselhos de Pastoral Paroquial um verdadeiro espaço de escuta, decisão e corresponsabilidade na missão da Igreja?
Síntese das respostas – versão resumida:
A assembleia aponta um caminho claro: queremos CPPs que rezem, escutem, decidam e façam acontecer para o bem da comunidade. Nas respostas recebidas, a ênfase mais forte foi a unidade entre as pastorais. Precisamos caminhar juntos, superar rivalidades e panelas, garantir representatividade de todas as forças da paróquia, com atenção especial aos jovens e às diversas realidades. O CPP deve ser a mesa onde toda a paróquia se encontra.
Junto com a unidade, veio o apelo à escuta e ao acolhimento. A assembleia pede um ambiente de respeito, correção fraterna e caridade no ouvir. Para sustentar isso, foi lembrado o lugar da espiritualidade: oração simples, silêncio orante e conversação no Espírito dentro das reuniões, para que nossas decisões nasçam da vontade de Deus e não apenas de opiniões.
Outro pedido recorrente é organizar melhor as reuniões: pauta antecipada, foco, encaminhamentos definidos, responsáveis e prazos, com retorno às pastorais. A periodicidade mensal foi sugerida com frequência. Para que tudo funcione, a formação é decisiva: saber o que é o CPP, como ele trabalha, como exercitar a escuta, como decidir e como comunicar. Formação também para o clero, para atuar como facilitador e promover corresponsabilidade.
A assembleia recorda, ainda, que cada representante precisa assumir tarefas e levar de volta as decisões às suas frentes, garantindo que saiam do papel. Pede-se transparência: tornar o CPP conhecido, abrir canais de participação, comunicar decisões com clareza, e avaliar periodicamente o que foi feito. Onde o CPP ainda não existe ou está frágil, é hora de implantar ou reativar, com boa composição e apoio diocesano.
Como compromisso comum, ficam sete passos simples. Primeiro, rezar nas reuniões. Segundo, pauta clara e enviada antes. Terceiro, escuta real de todas as pastorais e comunidades. Quarto, decisões com responsáveis e prazos, com retorno no encontro seguinte. Quinto, formação diocesana para membros e padres. Sexto, representatividade verdadeira, com atenção aos jovens e às realidades menos visíveis. Sétimo, avaliação periódica e partilha de boas práticas.
Se caminharmos assim, nossos CPPs serão, de fato, espaços de escuta, decisão e corresponsabilidade, e a missão ganhará corpo no chão das comunidades. Sigamos unidos: oração que ilumina, escuta que integra e decisões que viram serviço.
Síntese pastoral e estatística[1] das respostas:
A escuta realizada aponta um desejo convergente: fazer do CPP uma mesa de oração, escuta e decisão, onde todos participam com responsabilidade para o bem da comunidade. No conjunto recebido, integração e unidade entre pastorais foram o ponto mais recorrente, respondendo por 76% dos grupos (26 dos 34 grupos). Reaparecem ideias como caminhar juntos, superar rivalidades e panelas, cultivar comunhão e operar como “família paroquial”. Muitos grupos destacaram que essa unidade pede representatividade real de todas as pastorais e comunidades, com atenção aos jovens e à diversidade de faixas etárias e situações (inclusive pessoas com deficiência), de modo que ninguém se sinta fora do corpo eclesial.
Em seguida, aparece com muita força o eixo escuta e acolhimento (68% dos grupos: 23/34). Os grupos pedem escuta ativa, caridade no ouvir, correção fraterna no lugar de críticas destrutivas, e um ambiente de respeito e empatia. Esse clima se vincula diretamente à espiritualidade e oração (32% dos grupos): a oração pessoal e comunitária, a conversação no Espírito e a centralidade de Jesus são vistas como base que purifica motivações e sustenta o discernimento. Há propostas concretas de momentos de espiritualidade dentro das reuniões e de cultivar o silêncio orante para “deixar Deus falar”.
Um terceiro bloco muito presente trata da organização e efetividade das reuniões (29% dos grupos). Insiste-se em pautas claras e enviadas previamente, foco, objetividade, encaminhamentos definidos e retorno às pastorais sobre o que foi decidido. Aparecem ainda propostas de periodicidade mensal, criação de comissão de pauta, definição de regimento interno e distinção entre momentos “pastorais” e “paroquiais” dentro do CPP, sempre orientados pela pergunta: “o que é melhor para a comunidade?”.
Também é robusto o pedido de formação (50% dos grupos: 17/34). A assembleia pede formação para os integrantes do CPP sobre identidade, missão e método do conselho, formação espiritual, e treinamento prático para a verdadeira escuta e para a mentalidade sinodal. Ligado a isso, há referências à gestão e planejamento (12% dos grupos, mas constante): calendário pastoral antecipado, boa gestão administrativa a serviço da missão e alinhamento claro de prioridades.
Outro núcleo recorrente é a corresponsabilidade e participação (53% dos grupos: 18/34). Os grupos lembram que cada representante deve levar e trazer as decisões, assumir responsabilidades e garantir que as prioridades definidas sejam implementadas. Esse ponto se conecta à captação e cuidado das lideranças (24% dos grupos): convidar ativamente novas pessoas, sobretudo jovens e famílias (inclusive pais de catequizandos), oferecer acolhida e oportunidades reais de serviço e acompanhar quem se afastou.
Sobre o papel do pároco (21% dos grupos), a síntese recebida apresenta duas ênfases que não se excluem: para alguns, é importante que o padre assuma claramente a presidência do conselho; para outros, deve atuar sobretudo como facilitador e mediador, evitando clericalismo e promovendo a corresponsabilidade. Em ambos os casos, a expectativa é de escuta, diálogo e unidade. Há, ainda, menções à comunicação e transparência (12% dos grupos): tornar o CPP conhecido pela comunidade, explicar o que faz, abrir canais para sugestões anônimas quando oportuno, e comunicar com clareza decisões e critérios.
Por fim, surgem pontos específicos que completam o quadro: implantar/reativar o CPP onde ainda não existe e cuidar de sua composição (9% dos grupos); instituir avaliação e feedback das ações (9% dos grupos); evitar centralização, rivalidades e panelas, cultivando humildade e respeito (12% dos grupos); manter o foco na evangelização e missão (32% dos grupos), com linguagem simples e testemunho concreto; e, pontualmente, reconhecer a importância do dízimo no sustento da vida pastoral (3% dos grupos, menção isolada).
Em termos de perspectivas diocesanas, o que se espera a partir do que foi ouvido? Primeiro, recolocar a espiritualidade no centro das reuniões do CPP, com breves momentos de oração e conversação no Espírito que favoreçam escuta, caridade e discernimento. Segundo, qualificar o método de reunião: pauta antecipada, objetivos claros, distribuição de fala, síntese, encaminhamentos, responsáveis e prazos, com prestação de contas no encontro seguinte. Terceiro, oferecer formação diocesana comum para membros de CPP e para o clero, cobrindo identidade e finalidade do conselho, método de escuta e discernimento, dinâmica de decisões, comunicação e transparência, e prevenção do clericalismo. Quarto, garantir representatividade real: mapear pastorais e segmentos presentes e ausentes, criar um plano de convite ativo a jovens, famílias e realidades pouco visíveis. Quinto, aprovar um regimento mínimo diocesano que defina composição, periodicidade, rito da reunião e formas de participação das comunidades e capelas, inclusive via CPC (os Conselhos Pastorais de cada Comunidade da paróquia) quando houver. Sexto, instituir ciclos de avaliação e partilha de boas práticas entre paróquias, com apoio do coordenador diocesano. Sétimo, assegurar que cada decisão tenha quem executa, quando e como — e que volte ao CPP com retorno concreto.
Ao seguir esses passos, o CPP tende a tornar-se, de fato, um espaço de escuta, decisão e corresponsabilidade que fortalece a missão no chão da comunidade. O que a assembleia pede é simples e exigente: oração que ilumina, escuta que integra, método que decide e mão que executa. Onde isso acontece, a paróquia cresce como corpo vivo, a serviço do Evangelho.
Conclusão: duas prioridades pastorais diocesanas
Agora, em nossa Diocese de Novo Hamburgo, assumimos, a partir da Assembleia de 18/10/2025, duas prioridades pastorais:
1. A Iniciação à Vida Cristã com inspiração catecumenal;
2. Os Conselhos de Pastoral Paroquial, como verdadeiros espaços de escuta, decisão e corresponsabilidade na missão da Igreja.
[1] Nota metodológica: Na plenária de 18/10/2025, os percentuais apresentados foram calculados a partir da frequência de menções no texto total das respostas enviadas à IA, o que – percebemos depois – acabou dando mais peso aos grupos que escreveram respostas mais longas. Após a assembleia, relemos individualmente as 34 respostas, grupo por grupo, e mantivemos integralmente o texto apresentado na Assembleia. Apenas recalculamos os percentuais por grupo: agora contamos se cada grupo mencionou determinado tema, independentemente do tamanho de sua resposta. Por isso, alguns números mudaram. Consideramos este novo critério mais justo, equilibrado e fiel à distribuição das respostas entre os grupos.





