Texto: Padre Fábio Luís Galle – jornalista
Vivemos em um tempo marcado pela velocidade da comunicação. Com as redes sociais, multiplicaram-se as vozes e as possibilidades de relacionamento. Hoje, um fato pode alcançar milhares de pessoas em poucos minutos. Essa facilidade trouxe muitas possibilidades, mas também novos desafios: desinformação, notícias falsas, conflitos, crises e perda de confiança.
Nesse contexto, a Pastoral da Comunicação possui uma missão que vai muito além de tirar fotos, produzir artes ou divulgar eventos. Ela pode ajudar a construir uma verdadeira cultura da comunicação dentro da Igreja, aproximando pastorais, movimentos e serviços, favorecendo o diálogo e ajudando a comunidade a comunicar aquilo que realmente está a serviço do Evangelho.
Uma Igreja pode ter uma comunicação muito bonita, milhares de seguidores, muitos compartilhamentos e grande alcance. Tudo isso pode ser positivo e ajudar o Evangelho a chegar mais longe. O problema aparece quando a visibilidade passa a ser mais importante do que a missão.
Corremos o risco de deixar de lado nossa identidade pela performance, enaltecendo mais a aparência do que aquilo que somos. Nos preocupamos em mostrar que somos uma Igreja acolhedora, atuante e vibrante apenas em conteúdo, sem testemunho de vida. Não adianta ter uma comunicação deslocada da nossa realidade. O testemunho ocorre no serviço, na verdadeira unidade e comunhão.
A performance pode gerar visibilidade, mas não necessariamente gera confiança e comunhão. Por isso, a comunicação da Igreja não pode transformar o comunicador em protagonista. O protagonista da comunicação eclesial é Cristo.
Não devemos ter medo das novas tecnologias ou das redes sociais. Precisamos utilizá-las com criatividade e qualidade, compreendendo a linguagem do nosso tempo. Mas essas ferramentas precisam estar a serviço da missão e não substituir a identidade da Igreja.
A pergunta, portanto, não deve ser apenas quantas pessoas viram, curtiram ou compartilharam uma publicação. Precisamos também perguntar: o que estamos comunicando? Estamos aproximando ou afastando as pessoas? Estamos construindo comunhão? Estamos levando esperança? Estamos conduzindo as pessoas para Cristo?
A comunicação da Igreja, além de ocorrer nas redes sociais, ela acontece através do nosso testemunho, acolhimento, em nossa maneira de acolher as pessoas, no respeito em quem pensa diferente, como enfrentamos as dificuldades do dia a dia, enfim, toda a nossa vida comunica algo.
Fonte:
ROBERTO, Michelino. Comunicação Institucional. Curso de Extensão em Comunicação Institucional e Gestão de Crise Eclesial. Faculdade de Direito Canônico São Paulo Apóstolo (FDCSPA). YouTube, 26 ago. 2026. Disponível em: https://youtube.com/live/hHhmDhqhi4Q?feature=share. Acesso em: 6 set. 2026.





