Texto: Padre Fábio Luís Galle – Jornalista
Um dos cuidados mais importantes na comunicação da Igreja diz respeito à exposição das pessoas. As redes sociais favorecem a valorização de rostos, histórias, opiniões e estilos pessoais. Isso é uma característica das redes sociais. Na Igreja, porém, é preciso lembrar qual é a finalidade de quem comunica.
Padre, catequista, ministro, coordenador ou qualquer outro agente de pastoral não está ali para construir uma imagem pessoal ou transformar o serviço que realiza em uma espécie de marca própria. Antes de tudo, está ali para servir.
É claro que cada pessoa tem seu jeito de falar, seus talentos e sua própria maneira de se comunicar. E isso pode ser muito positivo. Uma pessoa que sabe utilizar seus dons para aproximar outras pessoas da comunidade pode contribuir muito para a evangelização.
O problema aparece quando o comunicador começa a ocupar o centro e a mensagem passa para segundo plano. A Igreja não existe para formar seguidores de pessoas. Seu propósito é conduzir as pessoas ao encontro com Cristo. Quem comunica deve ser uma ponte, não o ponto de chegada.
Essa responsabilidade também aparece nas pequenas ações realizadas nas redes. Curtir, comentar ou compartilhar uma publicação também comunica alguma coisa. Dependendo de quem somos e da função que exercemos na comunidade, uma simples interação pode ser entendida como apoio ou concordância.
Por isso, especialmente para quem exerce algum serviço na Igreja, é importante ter consciência daquilo que ajuda a divulgar. Isso não significa ter medo de se manifestar ou controlar cada palavra, mas reconhecer que nossa presença no ambiente digital também faz parte do nosso testemunho.
As discussões nas redes sociais são outro desafio. Basta acompanhar alguns comentários para perceber como uma conversa pode rapidamente se transformar em confronto. Uma frase é interpretada de determinada maneira, alguém responde, outra pessoa entra na discussão e, pouco depois, o objetivo já não é mais compreender o outro, mas vencer a discussão. A Igreja não precisa seguir esse caminho.
É possível defender aquilo em que acreditamos sem transformar quem pensa diferente em adversário. É possível discordar sem ofender. Também é possível abordar assuntos delicados sem recorrer a ataques pessoais. O Evangelho nos chama a uma maneira diferente de nos relacionarmos.
A verdade não precisa ser acompanhada de agressividade para ser verdadeira. Quando comunicada com respeito e caridade, ela pode alcançar o outro de uma maneira muito mais profunda. Também precisamos aprender a ter cuidado com aquilo que recebemos. Uma notícia chega pelo WhatsApp, aparece em um vídeo ou é encaminhada para um grupo. Em pouco tempo, pode estar circulando por dezenas ou centenas de pessoas. O problema é que nem tudo aquilo que recebemos corresponde à verdade.
Por isso, quem atua na Pascom precisa desenvolver também o hábito de verificar antes de compartilhar. Dizer “não sei” ou “preciso verificar” não demonstra falta de conhecimento. Demonstra responsabilidade. Existe ainda uma dimensão da comunicação que talvez seja uma das mais importantes: saber aquilo que não deve ser comunicado publicamente.
Dessa forma, comunicar também significa filtrar o conteúdo. Nem tudo precisa ser publicado. Nem todo problema da comunidade precisa ser discutido diante de todos. Há situações que precisam de conversa pessoal, oração, discernimento e, muitas vezes, silêncio.
A comunicação não se resume apenas à produção de conteúdos. Ela envolve cuidado com as pessoas, com as palavras, com as imagens e com aquilo que uma publicação pode provocar. A missão da Pastoral da Comunicação é estar dentro do espaço digital sem perder sua identidade. As ferramentas e as plataformas mudam, e os modos de comunicação também mudam. A missão da Igreja, porém, permanece.
Antes de clicar em “publicar”, talvez vale a pena fazer algumas perguntas: essa informação é verdadeira? Ela realmente precisa ser publicada? Pode prejudicar ou ferir alguém? Está de acordo com aquilo que acreditamos? Contribui para a vida da comunidade? Ajuda a aproximar as pessoas de Cristo?
São perguntas simples, mas podem mudar profundamente a maneira como fazemos comunicação na Igreja.
A Pascom não existe apenas para fazer a paróquia aparecer nas redes sociais. Sua missão é ajudar a Igreja a se comunicar, a criar proximidade e a levar o Evangelho também para esse espaço onde as pessoas vivem parte importante de suas relações.
No final, mais importante do que estar presente nas redes é saber como estar presente. Nossa comunicação precisa revelar o rosto de uma Igreja que acolhe, escuta, respeita, orienta, anuncia e, acima de tudo, aponta para Cristo.
Fontes:
FORNI, João José. Gestão e comunicação: o que gestores e profissionais de comunicação precisam saber para enfrentar as crises corporativas. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2025.
PRADO, Elisa. Gestão de Reputação: riscos, crise e imagem corporativa. São Paulo: Aberje Editorial, 2007.
ROBERTO, Michelino. Presença da Igreja nas mídias digitais. Curso de Extensão em Comunicação Institucional e Gestão de Crise Eclesial. Faculdade de Direito Canônico São Paulo Apóstolo (FDCSPA). YouTube, 2 set. 2026. Disponível em: https://youtube.com/live/_ALVRM6qsfk?feature=share.





